terça-feira, maio 12, 2009

Do Jornalismo

"As pessoas não gostam de dentistas pois não podem fazer nada enquanto estão sentados na cadeira. Nem falar."

Ler as notícias todo mundo faz. Seja no jornal, seja no UOL, seja na Terra ou no G1. Tem gente que se interessa por notícias de economia, política, futebol ou notícias bizarras. Essas últimas interessam muito as pessoas. Além das fofocas, claro.
Quanto as notícias bizarras, por existirem leitores, até acho plausível que sejam escritas. Como aquela em que existe um orangotango em que assobia num zoológico alemão, e ainda por cima vai lançar um CD em junho. Ou qualquer outro tipo de notícia. Notícias sensacionalistas são interessantes se souber como interpretá-las e levando em conta que existe um público-alvo para esse tipo de informação. Eu realmente acho válido. Notícias de esporte são geralmente vistas por um público direcionado. Isso não tem realmente o que reclamar. Existe interesse por todo esse tipo de coisa apesar dos jornalistas terem que tirar perguntas da manga para poderem sempre renovar as matérias sobre coisas que não tem uma abrangência considerável. Ou mesmo não tem um grande volume de informações que realmente interessam algum leitor assíduo do assunto.
O problema é que existe aquele jornalismo terrivelmente barato. Porco mesmo. Notícias de que algum famoso estava na praia tomando água de coco. Puta merda. Devem existir, no mínimo, umas 13 pessoas na mesma foto tomando a mesma água de coco. Talvez a água de coco do 'artista' seja de ouro. Mas se fosse mesmo, estaria explícito na notícia. Outro jornalismo barato é aquele em que o repórter nem sequer tem uma formação técnica na profissão. É apenas um cara que diz que é repórter e ponto final. Até as garotas da previsão do tempo sabem mais que essas pessoas. Isso não foi uma ofensa as queridas trabalhadoras da previsão do tempo.
O que estou dizendo é que deveria existir um filtro maior, pelo menos de grandes empresas, para que essa tranqueira mal escrita e sem informação nenhuma, chamada de "matéria", não chegasse aos olhos da população. A população que precisa de informação útil. E não da cultura da fofoca.
Cordiais Saudações

7 comentários:

nane disse...

o problema não é a fofoca em si, e sim a importancia que se dá em alguns fatos e a algumas pessoas.

Uma fofoquinha de vez equando cai bem.kkkk

na boa, realmente deveria ter um filtro maior. Como disse minha prof: "o curso de jornalismo deveria ser em 8 anos".
E eu creio que ser e fazer jornalismo seja um don. Se não tem, vem merda.

beijos, ivan!

ivan delgado disse...

É real. Mas tem muito reporter que nem jornalista é.

Mara Vanessa disse...

Ivan, o terrível! :)

E aí, Vanzão? De boa?

Para um publicitário, você escreve como um jornalista recém-formado, cônscio e cheio de perspectivas. o/

Corroboro com todas as suas afirmações. O lance dos filtros (abordado pelo Wendell), do processo de apuração e seleção de notícias e a qualificação do corpo profissional.

Acho que devemos culpar Pulitzer e Hearst. rs.

Um beijão,

Giovana Oliveira disse...

E o grande problema de quem trabalha na área sem formação acadêmica é o orgulho. Poucos dos que entram na universidade saem mais humildes e com alguma bagagem cultural. "Ah, eu não preciso fazer um curso superior. É mais fácil que eu ensine aos professores do que eles a mim". É por isso que acho uma cretinagem a ideia de não regulamentar a profissão de jornalista. Se deixar assim, qualquer um - vlugo "repórter" - pode escrever uma lauda inteira com informações incoerentes.

Sobre o sensacionalismo: ontei peguei um jornal aqui da região (Vale oeste de SC) que trazia na capa a foto de um acidente do final de semana. Detalhe: além do carro estrupiado, estava o corpo mais detonado ainda do motorista. Tinha sangue, cérebro e tudo mais espalhado por todos os lugares. E estava na capa do jornal. Absurdo.

"Ler as notícias todo mundo faz. Seja no jornal, seja no UOL, seja na Terra ou no G1." PS: deixemos de ler na Terra e vamos ler em Marte ;)

=))

Diego Kingdom disse...

Opinião despretenciosa minha. Mas acho que o que acontece (e muito) no meo jornalístico é a falta de especialização. Do "jornalista" entende-se que é o cara preparado para fazer tudo, o que não é verdade. É tudo uma questão de aptidão e muitas vezes até dentro do próprio ambiente do jornal é tudo muito mesclado. O cara que tem uma boa contextualização de argumentos e um conhecimento invejável de português pode atuar como redator, e as editorias devem ser divididas de acordo com os interesses daquele que escreve. É ignorância dar uma página de baladas praquele "nerd", super caseiro escrever, bem como deixar Esportes na mão daquele cara que malemá entende de levantamento de garfo.
Existem ainda os paginadores, diagramadores que são técnicos em edição e trabalham exclusivamente na composição das páginas através de um software e esses são igualmente condecorados com um MTB, um registro genérico para todo jornalista. Os diagramadores desempregados de hoje podem ser os repórteres de amanhã.
E quanto ao sensacionalismo e as fofocas... Em um país onde o evento mais esperado do ano é o Big Brother não há mais nada a ser dito!
Mas ainda existe a imprensa limpa, ideal e imparcial, seja apenas uma pessoa tímida escondida em cada um dos inúmeros veículos de comunicação que possuímos, mas o espírito da imprensa imparcial e livre de interesses ainda existe.

Marquinho Pagetti disse...

PS:
Os melhores jornalistas que conheci, não eram jornalistas.
No máximo, se diziam curiosos.

piadinha: sabe como matar um jornalista? manda ele pular de cima do próprio ego!!

wendell penedo disse...

Só há tanta merda pq há tanta gente achando "válido" esse monte de merda jogada no nosso colo.
O papel do jornalista não é olhar pra público alvo, quem faz isso é publicitário. Jornalista deveria ter preocupação com o bem comum.